Vê, aqueles sapatos.
Uma montanha deles, não mágica, mas olímpica.
Quase todos eles, por ir e voltar, nem sempre, meus passos.
Quase todos muito mais que sapatos
– menos, agora rotos – foram pontes e portões para tanto rojão
Para tanta risada e cadeados
Para tanto cárcere quanto pode caber nos meus pés.
Vê, que piada engraçada,
Amontoados parecendo pequenos animaizinhos esgotados .
Emaciados passam o tempo repetindo as mesmas coisas
Uns para os outros.
E nem sabem mais o que disso tudo aconteceu ou foi inventado.
A diferença já não cabe.
Que trágico.
São sapatos
Parecem pessoas.
_vinicius perenha – 20 de julho de 2010.









