5.11.13
Turnê
Feira de publicações
Sábado 09/11 das 14h às 22h e domingo 10/11 das 14h às 20h.
Largo das Artes | Rua Luiz de Camões 02, Centro - Rio de Janeiro.
2.11.13
vida-livro
na hora insone, a oração!,
que é balbuciar na pele
o erro alvo que me impele
- livro de não-fique-são.
Por Carole B.
1.11.13
30.10.13
2º TMO
pela janela do meu leito
campo de futebol vazio
sem bolas nem meninos correndo
nada e ninguém
pela janela do meu leito
pássaro de peito amarelo
lista branca à cabeça
no bico um graveto
pela janela do meu leito
ninho para novos passarinhos
para novos passarinhos, ninho
e me deito
r. ponts, do livro colibrilhos & colibreus
13.10.13
A revolta (cibernética) do cedilha bêbado
Com o advento da era digital
Explodiu a sangrenta revolta gramatical
Do cê-cedilha!
Empolgado ficou pelo vislumbre promissor
De ter o rabinho torto ceifado do traseiro
(motivo de chacota entre as demais letras)
Com a ajuda das teclas.
E então começaram os rumores:
- Rebelou-se, o cê de cabaço !
Em linguagem gozadora, o circunflexo.
- Gente, o cedilha eletronificou !
Berrou a crase, "aterrorizada"
- Aliou-se ao computador !
Em voz fanha, o til.
E o cedilha inflama, seu discurso revolucionário:
- Prometo semear o terror !
Formosa e leve Graça
Mutar-se- à pra truculenta Gráca
Aço é Áco ! Praça é Práca !! Faça vira Fáca !!!
Eça, você vira o magnânimo Éca !
Há há há há há há !
Riu-se, desajeitado, grámatica afora...
---
Isaac Frederico, abril de 2003, publicado no livreto Viver e Devir.
1.10.13
28.9.13
11.9.13
Fantoches da meia noite
O álbum de desenhos Fantoches da
Meia Noite de Di Cavalcanti, editado em 1922 por Monteiro Lobato
& Cia. Editores foi provavelmente o primeiro livro de artista
publicado no Brasil. A obra rompe com a art noveau praticada pelo
artista até então e aproxima-se da linguagem expressionista. O
álbum de folhas soltas, formado por um conjunto de 16 pranchas e um
encarte de apresentação escrito por Ribeiro Couto retrata os
habitantes do submundo carioca, o universo boêmio e suas figuras
típicas; bêbados, vigias, músicos e prostitutas. Figuras marginais da noite
carioca do ínicio do século XX, época de reurbanização e grandes
mudanças sociais na cidade. Os Fantoches da Meia Noite são
o avesso da elite afrancesada da Belle Époque do Rio.
---
Há
exemplares do livro na Casa-Museu Guilherme de Alameida em São
Paulo e na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Também há um
fac-símile no livro “Literatura em quadrinhos no Brasil”
publicado pela Editora Nova Fronteira.
30.8.13
Adentro
Há uma intenção subterrânea
Naquilo que você não quer
Ou faz
Ou pensa que faz, deseja
E diz.
Pode ser deus
O subconsciente
O capeta
O instinto
Ou o devir.
Pode ser sua mãe
Um espírito desencarnado
O lado escuro da lua
O outro lado da moeda
Os demônios que um dia você há de enfrentar
Ou até um fiapo de loucura
Insinuando
Que chegou a hora
De resolver os abusos
As descargas que não foram dadas
Ou a paranóia que arrepia sua nuca
E nunca deixou você gozar.
E calma, amigo...
Tem mais.
Há mais andares abaixo
Das intenções mais subterrâneas
E por fim há a câmara do significado elementar
Essencial, simples e primeiro.
Necessário, absoluto e irredutível.
O uno indivisível, impensável e indizível.
Depois da morte e antes da vida
A preencher cada intervalo entre seja lá o que
For e de cujas portas só o tempo tem a chaves
É amigo
Fatalmente a busca um dia revela-se
E é nada além de tempo perdido.
Vinicius Perenha
Poesia integrante do livreto "Absinto", com poesias de Isaac Frederico e Vinicius Perenha, lançado pelo Presença em setembro de 2006.
26.8.13
Feira de publicações independentes
No próximo sábado dia 31, estaremos em Belo Horizonte participando da feira de publicações independentes.
Abraços & beijos.
presença
---
presença
---
25.8.13
Ángelus!
..
Juan Ramón Jiménez
---
Olha, Platero, quantas rosas caem por todos os lados: rosas
azuis, rosas brancas, sem cor... Se diria que o céu se desfaz
em rosas. Olha como me replenam de rosas o rosto, os om-
bros, as mãos... O que farei com tantas rosas?
azuis, rosas brancas, sem cor... Se diria que o céu se desfaz
em rosas. Olha como me replenam de rosas o rosto, os om-
bros, as mãos... O que farei com tantas rosas?
Saberia você, talvez, de onde vem esta branda flora, que eu
não sei de onde vem, que enternece, cada dia, a paisagem,
e a deixa docemente rosada, branca e celeste – mais rosas,
mais rosas –, como um quadro de Frei Angélico, o que pin-
tava a glória de joelhos?
Das sete galerias do paraíso se acreditaria que atiram rosas
à terra. Igual a uma nevada morna e vagamente colorida, fi-
cam as rosas na torre, no telhado, nas árvores. Olha: a força
toda se faz, com seu adorno, delicada. Mais rosas, mais ro-
sas, mais rosas...
Do livro Poetas Hispânicos, Coleção Platero vol. 01.
Editora Cozinha Experimental. Tradução de Marcelo Reis de Mello
18.8.13
Uns corpos são como flores
..............................LuLuis Cernuda
Uns corpos são como flores,
Outros como punhais,
Outros com fitas de água;
Mas todos, cedo ou tarde,
Serão queimaduras que em outros corpos se formem,
Convertendo por virtude do fogo, uma pedra num
..................homem.
Mas o homem se agita em todas as direções
Sonha com liberdades, compete com o vento,
Até que um dia a queimadura se apaga
Voltando a ser pedra no caminho do nada.
Eu, que não sou pedra, mas caminho
Que cruzam ao passar os pés desnudos,
Morro de amor por todos eles;
Dou-lhes meu corpo para que o pisem,
Ainda que os leve a uma ambição ou a uma nuvem,
Sem que nenhum compreenda
Que ambições ou nuvens
Não valem um amor que se entrega.
Do livro Poetas Hispânicos, Coleção Platero vol. 01.
Tradução de Marcelo Reis de Mello
Uns corpos são como flores,
Outros como punhais,
Outros com fitas de água;
Mas todos, cedo ou tarde,
Serão queimaduras que em outros corpos se formem,
Convertendo por virtude do fogo, uma pedra num
..................homem.
Mas o homem se agita em todas as direções
Sonha com liberdades, compete com o vento,
Até que um dia a queimadura se apaga
Voltando a ser pedra no caminho do nada.
Eu, que não sou pedra, mas caminho
Que cruzam ao passar os pés desnudos,
Morro de amor por todos eles;
Dou-lhes meu corpo para que o pisem,
Ainda que os leve a uma ambição ou a uma nuvem,
Sem que nenhum compreenda
Que ambições ou nuvens
Não valem um amor que se entrega.
Do livro Poetas Hispânicos, Coleção Platero vol. 01.
Tradução de Marcelo Reis de Mello
9.8.13
Breves desatinos
Zine publicado em parceria com a Editora Cozinha Experimental que será lançado no próximo sábado na PÃO DE FORMA, feira de arte impressa que reunirá livros, zines, publicações e produções editoriais independentes que dificilmente são encontradas dentro do circuito comercial.
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10 e 11 de agosto / 15 h às 22 h
Rua Martins Ferreira 22, Botafogo, Rio de Janeiro.
A entrada é franca. Traje de banho opcional.
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Abraços.
13.7.13
Julia Margaret Cameron
Começou a fotografar aos 48 anos após ganhar de presente uma máquina fotográfica de um de seus filhos. Sua vasta obra foi produzida entre os anos de 1864 e 1875.
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"Annie, my first success"
O escritor Thomas Carlyle
Charles Darwin
O poeta Henry Taylor
7.7.13
Tim Maia, Roberto Carlos e Rock and Roll, nos tempos dos Lps, k7 piratas e Locutores de Rádio.
Fui uma criança sem muito interesse
por música, acho que o modesto acervo de discos dos meus pais
também não contribuiu muito. Lembro de alguns desses discos;
trilhas sonoras de novelas da rede globo, coletâneas internacionais de
músicas românticas, Lps do José Augusto (que era o ídolo da minha
mãe na sua juventude), alguns discos de sambas-enredos e outros do Tim
Maia e Roberto Carlos, e estes dois são a herança musical
que ficou. O gosto pelo Tim Maia só fez crescer de uns tempos pra
cá, graças a era do download que me possibilitou entrar em contato
com sua produção dos anos 70. Os Lps do meu pai eram da fase
brega-romântica do Tim Maia (anos 80), toda vez que ele tomava umas a mais
colocava esses discos no máximo e cantava junto os poucos versos que
sabia, e para um moleque de uns sete anos não era a música mais
interessante pra se ouvir.
A audição mais atenta dos discos
do Roberto Carlos se deu por volta dos 17 ou 18 anos, peguei os
vinis que tinha em casa e coloquei no toca-discos procurando as
músicas mais interessantes, fiz tudo isso depois de me certificar
que não tinha ninguém por perto, naquela época ninguém poderia
saber que eu andava ouvindo Roberto Carlos. Isso era imperdoável
prum jovem rebelde, fã de Iggy Pop, Bob Dylan, The Clash e Neil
Young. Até a primeira metade dos anos 70
Roberto Carlos produziu muita coisa boa, depois infelizmente acabou
virando uma espécie de Julio Iglesias brasileiro, abandonou seu
visual cigano-hippie, com seus cordões, jaquetas e cachimbos e
resolveu cantar pras gordinhas, baixinhas, míopes e nossa
senhora, e há décadas só faz lançar os mesmos discos e especiais
de fim de ano pra cumprir contratos.
Mas Roberto Carlos e Tim Maia não me
despertaram interesse na infância, foram descobertas
posteriores. Lembro da primeira música que prendeu minha atenção
quando criança. Estava tocando no 3 em 1 prateado da marca aiko que
tínhamos em casa, era uma tarde na Ilha do Governador na década de
80, fiquei ali prestando atenção naquela melodia e na história que
a letra contava. Fiquei esperando a música terminar com
papel e caneta nas mãos e assim que o locutor anunciou de quem era
aquela canção anotei no papel; Eduardo e Mônica da Legião Urbana. Então era essa a tal banda que o Geovane tanto falava.
Geovane era um amigo do primário que dizia pra todos que sua banda
preferida era a Legião Urbana, acho que todo moleque nos anos 80
que tivesse um irmão mais velho devia gostar da Legião, o
Geovane tinha um irmão mais velho que curtia a banda, como eu não
tinha irmãos e nem o hábito de ouvir rádio demorei um pouco
pra conhecê-los. Ainda levei algum tempo pra entrar em contato com
os álbuns da banda, foi por volta do 14 anos quando comprei no
camelô umas fitinhas k-7 piratas, numa dessas promoções de três
por não sei quanto, foram duas fitas da Legião e uma do Raul, e
essa foi a minha iniciação no rock. Legião Urbana e Raul Seixas
foram as portas de entrada. Neste mesmo ano, 1995, comprei meus
primeiros Lps; Planet Hemp, Raimundos, Pearl Jam e Nirvana, o típico
rock and roll de ouvinte da rádio cidade.
Depois, aos 15 anos, descobri o Trash Metal, Punk
aos 16, Folk aos 17, aos 19 formei uma banda com os amigos Rafael
Elfe e Odilon Soares que durou apenas seis meses (a minha falta de ritmo pra tocar bateria foi uma das razões pra curta vida da banda) . E daí pra frente o moleque que
durante a infância não se interessava por música se tornou um
aficionado, consumidor compulsivo, que baixa mais
músicas do que pode ouvir, que gastou durante muito tempo o
dinheiro que tinha e o que não tinha comprando discos, e até
hoje não consegue passar por um vendedor de vinis sem parar pra dar
uma olhada.
Também não lembro qual foi o
último dia que passei sem ouvir música.
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25.5.13
9.5.13
Cooper noturno
Em certas alturas
a locura
é a cura.
Em certos momentos
o alento
é lento.
09 de maio de 2013.
5.4.13
Fernando Rodrigues e seu "Manifesto"
Recentemente numa ida ao Centro do Rio
encontrei com o Fernando Rodrigues divulgando seus livretos no bom
e velho esquema faça-você-mesmo dos poetas de calçada.
Fernando tem vinte e poucos anos é morador da Ilha do Governador e
recentemente ingressou no curso de Filosofia do IFCS.
O poema a seguir foi retirado do
livreto “Manifesto” e faz parte do livro de mesmo nome previsto
pra ser lançado em breve.
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A cidade e seus contrastes na visão do poeta.
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“Manifesto”
Digestão escarrada dos séculos
passados;
a realidade carioca, reflexo onírico
dos
desejos feridos propagados em ecos de
alcance
inestimável.
A maquinaria sinfônica dos sentidos
desregrados,
enganados, descarnados, transcende ares
vezes tropical, vezes mórbidos, vezes
os dois.
A cidade, esse monstro de energia que
mastiga,
canta, olha, julga, deseja, rouba, mata, urra,
massacra, não para,
no movimento dos carros, olhos dos
viciados,
gracejo dos privilegiados,
necessidade dos marginalizados;
é a poesia síntese não escrita de
eras cíclicas
de membros mutáveis e estrutura
estática,
correntes de toda humanidade não
definida,
canalizada pra alguns pontos, como rios
nos mares,
o Rio de Janeiro é um desses mares,
realidade confusa, duvidosa, com
diferentes
perspectivas que se cruzam, se
aproximam,
entrelaçam ao inconsciente, no irreal.
Os mendigos se revirando,
carros engarrafados buzinando,
as multidões ejaculadas dos prédios
no
horário de pico,
os pirados berrando se borrando e
comendo
em marmitas de alumínio doadas,
o exército de salvadores recolhendo
almas
e as vertendo em cédulas sempre mais
altas,
o voto comprado,
a cerveja gelada,
a cachaça barata,
as putas moribundas,
os reacionários esclarecidos
como vacas lobotomizadas,
os revolucionários com o grito
estéril,
os que se acham mais sóbrios que os
dois e
falam que mudanças são ferrugens
intelectuais,
os traficantes transformados em ídolos
nas favelas
e pelos circos de playboys que desejam
um dia
ser com os jogadores de futebol,
a Av. Presidente Vargas fervilhando e
a Uruguaiana em polvorosa,
fome,
engavetamento nos túneis,
a Zona Norte extensa, esquecida,
movimentada,
parada, suburbana,
Baía de Guanabara sufocada com marés
de lixo
a Zona Sul pros gringos, com suas
pompas,
arrastões, edifícios caros
amontoados, praias cheias
torrando banhistas aos sol,
uma Zona Oeste ignorada,
mas com uma Barra e Recreio
novaiorquisados,
ritmo incessante dia e noite
do monstro de energia gerador de
êxtase, euforia,
massificação, ilusão: transfiguração
da
realidade irreal individual ou não.
Essa poesia não escrita, mas vivida,
não acadêmica,
toma forma no campo da arte da mesma
maneira
que no dia a dia:
digerindo e vomitando tudo de uma só
vez;
um parto convulsivo e doloroso dessa
existência
nervosa e desordenada do Rio.
Assim essa poesia pode agora ser parida
sobre o papel e encontrar seu espaço,
mesmo que seja no esquecimento
e no seu aborto enquanto literatura.
Fernando Rodrigues, Março de 2013.
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