25.3.10
Fragmentos asiaticos
Bancos despejando, a quilo,
Creditos de papeis inexistentes,
Uma imagem seria
Pra criancas jogando bafo
Com notas promissorias,
Chupetas de cigarros
E cafes com leite
Chamados "Latte",
Carrinhos Rolls-Royce
O meu maior que o seu,
Policia e ladrao
Com AKs-47;
Infantes jogando Green Beret.
Quando criancas brincamos de adultos,
Quando adultos...
= = =
Jogou as ancoras
No distante Oceano Indico
Pediu ajuda aos corais
Pois que os homens nao tem tempo;
Parou e sorriu
Que grande ironia sao nossas vidas,
Refletiu, consentiu,
Vendo todos seus atos
Distantes do que realmente
Tinha querido fazer.
(Siem Reap, 25 de marco de 2010)
22.3.10
E de repente muda
............................................................................................................Kandinsky..........................................................Para o marujo Isaac.
Dizem-lhe é isto
Agrada-lhe o ser aquilo.
O rosto não se encaixa no resto.
A estreiteza do uniforme lhe trava os movimentos.
Abre um botão
gira um pouco pro lado o pescoço
e eis que de súbito
o entorno
já é outro.
3.3.10
Fade
Cercada de areia e outras barcas, infinitas embarcações
Que não seguem, mas avançam
Expandem suas proporções, tocando, de leve
Umas às outras.
Estou de pé, numa delas
Imaginando até quando navegar será preciso
O que será preciso
Sendo em solidão, tantos
Minha própria barca.
Nessa terra
Que mistérios, tantos sons
E encontros
E areia.
Tão pouco é fundamental
Tão pouco é definitivo
No fim do caminho só há o caminho
E as barcas que não são barcas
Nem areia
Ou horizonte.
Vinicius Perenha, Março, 2010.
24.2.10
Tirolês
Chegamos a Hong Kong e, portanto, conseguimos driblar a censura do governo chinês a todos os blogs do Blogspot. Segue o "Tirolês", que compus numa Xi´an repleta de neve.
Grande abraço aos amigos leitores !
# # #
Respirava o ar, repleto,
Da areia vinda do deserto,
Sorrindo, pleno,
Suando, incendiário –
Plenipotenciário.
Bebia sementes e comia guardanapos,
Draconiano em seus atos,
Os populares estupefatos,
Enquanto cantava tirolesas,
Matando baratas com piadas,
Abrindo um olho e fechando o outro
A velocidades estúpidas,
Cobrava e amava com a mesma destreza,
Defendendo a vida em jogos de mahjong
Na Shanghai dos anos 30,
Insólita natureza,
Jogava dominó sozinho
Com caroços idênticos de cerejas,
A padres reservava arrotos,
A mendigos soluços
“Que desejas?”
Indagava, hirsuto,
Fornecendo a própria resposta,
Unitário, resoluto,
Idílico, sádico, arenoso,
Quando se perdia em adjetivos,
Geográfico em suas pizzas à francesa,
Fazendo piadas, sempre,
Sempre à tirolesa.
(Xi´an, China, aos 9 de fevereiro de 2010)
17.2.10
Ancestrais
ANCESTRAIS
Canto mesmerizante do vagar,
A estrada une pontos,
Desvela os ancestrais milionares;
O primeiro medo surgiu
Antes do advento da memória,
Há incontáveis séculos
Nadando em um mar revolto e –
No topo de cada uma das ondas insanas
A visão noturna de mil baleias,
Todas de olhos amarelos brilhantes,
Faróis no impenetrável da noite.
Em Tokyo infinitos insetos
Se apinham do lado direito
Da escada rolante;
As lágrimas traçando o primeiro caminho
No rosto cansado,
Defronte ao cânion rubro-dourado,
Nasceu o primogênito da paz pela força,
Do amargo-arsênico
Da dor pela palavra.
Polegar articulado, macaco moderno,
Navalha em punho
Faço a barba com a mão esquerda ligeiramente levantada,
Cacoete ainda
Da música do monolito negro
E choro gotas de unificação.
Em Beijing não há egos,
Estarreço diante do Grande Irmão;
Faça o quanto antes
As ansiosas contas
Com seu próprio passado.
Isaac Frederico (5 de fevereiro de 2010)
11.2.10
O cobre das pombas
comia a gordura rápida
do alto planeta inteiro
uma calculadora praguejava
seus salários que não davam conta
na mesma sombra
onde passarinhos de capuz
limpam um jardim antigo
cavadores se fantasiam
e correm tubos de uma névoa grossa
sob o chão macio
guardas e xamãs
brigam por tabaco
e seus olhos pintados
não veem o ninho de cobre
onde a videira canta seu mantra
pombas marcham sobre a grama
e os piolhos das penas
alimentam o terreno
eles são à prova de seus planos
e fazem desse barro branco
o palanque para seu silêncio
[03/02/2010, jardim da Casa de Rui Barbosa | Rio de Janeiro]
13.1.10
Barcarola nuvem
e não chove nem há sol
o lusco-fusco se põe entre os dias.
Hoje é quase dezembro
e o seu barco de madeira já não vejo.
As árvores de natal já não fazem sentido.
As ameixas reluzem em sumo sobre a mesa
e o sabor é uma memória que lateja.
Três vezes em guerra
a se debater
a empurrar
e a falar pros teus ouvidos
espirais coloridas
tulipas de algodão.
E o que poderás entender do que tenho visto?
Riscos de antemão.
Luzes incessantes percorrendo pautas musicais.
Segredos costurados nos travesseiros.
E o medo
e o mijo nas calças
ao ver os fantasmas do porão
e não havia porão em tua casa
e não havia porão em minha-tua-nossas casas.
e o eco te sobe pelas pernas
e o que verás?
Teus são teus olhos
e o que chamas de vermelho
para um outro talvez não seja.
Há uma mesma tarde no tempo
distinta para cada um de nós.
*verso roubado de algum poema que não me recordo
22.12.09
Lançamento do livreto " Torres Homem, 278 "
![]() | |||||
Fala rapaziada
Arteiro que sou,
Um fanfarrote sênior,
tapeio meus versos
prometendo-lhes a vida num poema
tanto-sílabo e royal
E eis que agora moram
no albergue bufonal
deste texto escaleno –
que nem a boas rimas se presta!
Pagaram caro, queriam fama,
A escalada literária!
De boas penas tinham ganas…
Mas foram postos, à moda pária
Por este hadoque doidivanas.
10.12.09
agarrada às asas do boing
de gravatas grita: - Fica!
Côncava, plana,
central, estranha, via deserta.
Brasília é a Barra da Tijuca à noite,
embora não saiba.
Brasília desdentada de ônibus-trem-elétrico
voltando.
Brasília é moderna,
embora não caiba nela mesma.
Embora não saiba,
é luz de abajour intelecto
janela sóbria em pequenos prédios - púlpitos suicidas.
É astrofóbica, filosófica...
- É coisa-e-tal, saca?
Brasília é mais cedo,
bala de festa.
Mais-tarde deixa Brasília tonta;
gira Brasília sem braços.
E Brasília têm filhos
e pais separados.
Aguarda adoção.
Brasília ambidestra.
Fala alemão, engole facas.
Agarrada aos fios, é uma criança pedindo colo.
Brasília tem nome,
ora não tem.
O céu quer Brasília mais alta,
chama por ela, que
nem da janela pisca.
Brasília é uma curva desfeita.
Brasília é alcoólatra, posta por conveniência.
É uma prancha e dois pratos.
Brasília é ela.
Que vai embora e chega,
retorna do inferno pro inferno.
Pra outra Brasília
que nunca pisei.
Distinta dela mesma,
de seus detritos.
Brasília que nunca estive,
e já nem sinto o quanto a amo.
Brasília ruiva, hippie e bela.
Agora,
Brasília inteira
é uma curva.
(2007)
9.12.09
Andanças por Mangaratiba
1.12.09
O MANTO
Segue, meus caríssimos irmãos de armas, que o pesado manto rubro-negro será, mais uma vez, içado sob o cântico de uma nação e, novamente, milhões de olhos estarão postos sobre a realeza desta tradição de proporções bíblicas que é o Flamengo.
O Flamengo que superando todos os adjetivos possíveis, tal como uma vez previu o grande Nelson Rodrigues, já não se conforma mais à idéia de time ou mesmo de comunidade esportiva. A legitimidade que não pode ser comportada por nenhuma noção que não a de uma força da natureza. De outra forma, a atitude dessa paixão seria coisa sobre ou anti-humana. Mas qualquer um poderá perceber nos olhos de um membro dessa fraternidade a evidência absoluta dos mais elevados sentimentos , a característica cristalina da entrega ao júbilo mais absurdo e ao sofrimento mais indescritível com a mesma certeza de que é nobre pertencer a essas cores em toda e qualquer circunstância.
Cantemos sempre todos os hinos, que de certa forma, todos eles nos pertencem. O ente Flamengo, gigante bicolor sem forma que, na representação da armadura rubro-negra, enverga bravio todos os nomes e rostos, todas as paixões e violências que o amor mais fanático de todos pode conter.
Sejamos gratos, nação. Estejamos à altura. O apocalíptico Flamengo é maior que qualquer homenagem.
O triunfo aguarda os próximos dias na respiração ansiosa e entrecortada de todos os homens. Será com respeito e veneração que o grito explodirá hoje e sempre em todas as bocas e lugares. Entre o carnaval de sorrisos e lágrimas não haverá mácula ou infidelidade que resista. Todo e qualquer homem vivo saberá que o Flamengo é campeão.
Vinicius Perenha, 01/12/2009.
27.11.09
14.11.09
Aprendo
que a cabra
que a ferramenta na caixa
que o dobre d´água.
Sendo pior que eles,
não sendo nada.
Aprendo a reconhecer o mau
nas aranhas que me esquecem
nas pessoas-porta-retratos que os suportam
os porta-retratos, sendo pessoas.
O mau que urge nas silenciosas caras
que aflige famílias, doenças graves
Aprendo sendo melhor que ele - o mau,
existindo como pessoa
despregada de paredes.
Aprendo a ser mais forte
que o sino
que o mar na manhã trêmula
que a faca sobre o dedo da velha
sobre o peso das costas
que a corda bamba de mendigos
muro de alcançar baixios.
Aprendo a ser mais
sendo menos,
tênue fio que se estanca.
Aprendo a resolver o meu medo
no escuro
mergulhado num mar de cinzas sonoras
tubarões e sacis me perseguem
agonizando entre terreiros de macumba
capas negras e vermelhas sob a fumaça dos caximbos
a orca, o vizinho queimado vivo, o desenterro do amigo
olhos mortos na pele que devora o riso.
Aprendo a ter coragem
não tendo, deixando que o monstro me alcance
tornando-me algum tipo de monstro.
Aprendo meu delírio
vivendo-o
no duro concreto da mais absurda realidade
meu mastro fundo, falo!
no ácido que me toma
estrelas-irmãs
telefonemas solitários
tudo pra um dia que não existe
Aprendo a delirar delirando
rasgando o que me parece ter algum resto de delírio.
O irreconhecível mente
exatamente vivo
exatamente desesperado - como pareceu
exatamente eu.
Talvez fosse apenas um outro.
Um desconhecido de mim, de você.
Desapegado desse instante, desentranhado.
Talvez nem tenha sido assim
vai saber?!
E discreto, talvez, nem tenham percebido.
E este eu, qual desconheço,
poderia estar mentindo,
fingindo-se passar por um outro de mim
que ainda não me chegou o momento exato de ser.
11.11.09
Impontual
com meus dracmas,
suei, cheguei,
dúzias e destinos depois,
disse-te, viria,
dramático, dodecadividido,
Mas puma,
Pontual, todo presente.
Ilê, mas – cadê?
a sabendas não vens,
ou caminhas?
Impontualesces?
.....Fazes-me levêdo?
Estiveses e verias
Os caminhões atochados
de segundos, de sargaços,
de serviços e sonháculos
.....e outros levantiscos afins,
que nem eu sei mais o que são.
(Aos 6 de outubro de 2009)
4.11.09
A rua tempo
como eles
voluntário
há quanto tempo não me ligo
três nove setenta
quatro três sete cinco
mais que marginal
imaginário
ser a terceira margem do rio
**
Ao quererem-se nos Inválidos
invalidam-se e somem
e os sonhos bons
quem dera os fosse
são segundos
os primeiros
neles e no tempo
se acanham
e perduram
e perduram
e perduram
**
Os muros da escola atentos ao cego que voa
Nuvem bailarina no mar de eutanásia dos tempos
**
A Passagem aberta
doce
de portais de amêndoa
em raios da hora nova
é nos novos arranhões
o sono solda
tempos breves
e outubro passa
como música
no ônibus
poemas fruto das ruas Voluntários da Pátria, Inválidos e Passagem do Rio de Janeiro
27.10.09
Diário do México - final
Detalhes reveladores do Terrazo de los muertos, onde eram realizados os sacrifícios dos membros do time perdedor, no Gran Juego de Pelota, uma espécie de jogo de bola de pátio que existia
.....Conceito importante: na região da Cidade do México e arredores, os indígenas locais eram aztecas. Aqui na Península de Yucatán, não; aqui eram maias, outra raça, outra cultura, tudo diferente.
.....Os maias – inventores do conceito do zero, avançados astrônomos e matemáticos, artistas, filósofos e escritores sofisticados, arquitetos de alguns dos maiores monumentos conhecidos – criaram seus primeiros assentamentos no que hoje é a Guatemala, cerca de 900 a.C. Ao longo dos séculos a expansão maia se deu para o norte e por volta de 550 d.C. havia cidades-estado maias na parte sul da península de Yucatán.
# # #
.....Passamos pela Plaza Grande, coração da cidade, e vimos a Catedral de San Ildefonso, o Macay – Museo de Arte Contemporanea Atheneu de Yucatán, a casa de Montejo, que abrigou os familiares descendentes de Francisco de Montejo até cerca de 1970, o Palacio Municipal e Palacio Del Gobierno, onde compramos nossas passagens para Chitzén Itzá para amanhã, às 0630hs; passamos também pela Iglesia de Jesús, Teatro Peón Contreras e Universidade de Yucatán.
Pela tardinha tiramos um cochilo inevitável e deois saímos para jantar e comprar protetor solar para a jornada de amanhã. De noite caímos, esgotados.
23.10.09
Diário do México - 11
Av. Paseo de la Reforma, com el Ángel
# # #
19.10.09
Diário do México - 10
.....05 jan
.....Hoje acordamos bem cedo para ir conhecer as pirâmides de Teotihuacán, a cerca de 50km a norte da capital. Pegamos o metrô até a estação autobuses del norte e de lá pegamos um ônibus até a entrada do parque, aproximadamente 1h de viagem e r$ 6,00 cada pra entrar.
uadrados, por sua vez perimetrados por escadarias. A imponente Pirâmide da Lua, ao final da Calzada de los Muertos, é linda em sua meticulosidade, ainda que de menores dimensões que a Pirâmide do Sol.# # #
16.10.09
Diário do México - 9
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.....Mais um dia na Cidade do México! Vamos dedicar o dia de hoje ao Bosque de Chapultepec, o “morro dos gafanhotos”, na língua Náhuatl, o maior parque da capital, com mais de 4km quadrados, com lagos, um zoológico e alguns excelentes museus. Pegamos o metrô por volta das 0930hs e descemos na estação Chapultepec, de onde adentramos o parque andando, em direção ao castillo.
O Museu de Arte Moderno não possui um vasto acervo mas possui algumas jóias impactantes, como o internacionalmente pop Las dos Fridas, de Frida Kahlo. Vimos ainda mais quadros dos consagrados Dr. Atl, Rivera, Siqueiros, Orozco, Tamayo e O´Gorman, além de uma exposição de Remedios Varo de tirar o fôlego, a surrealista veterana mexicana, foi excelente. Pensei no William e em como certamente estes nomes obras o agradariam.
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