22.6.10

Trecho do diário sem floreios

Era um tipo que agradava as mulheres, vá entender. Senso de humor que só a elas fazia rir. Frases feitas e bem colocadas, um certo ar dominador de quem diz vem cá puxando pelo braço. Falante, com uma boa dose de falsidade no gargalhar, mas elas não notavam ou fingiam não notar. Paula, Beta e... não me lembro o nome da terceira, só do decote que ofertava aos meus olhos um par de seios, loucos pra fugir das amarras daquele sutiã opressor.
Ele pedia a cerveja como um tirano pede a degola dos seus inimigos, toda vez que o garçom se aproximava era agraciado com uma piadinha que as faziam rir incontrolavelmente. E lá estava eu naquela mesa, recebendo gratuitamente o meu curso de conquistador do grande Don Juan. As três senhoritas logo esqueceram a minha presença. O galã meio malandro, que se achava malandro e meio virou uma espécie de totem, um deus cultuado por olhares apaixonados de servas prontas a atender o mais sórdido dos seus pedidos. E eu ali com minha cara de bunda relegado a mero objeto decorativo, as minhas mais belas colocações não causavam nenhuma reação enquanto ele com suas abobrinhas era reverenciado como um exemplo de sabedoria ocidental. Tenho que confessar o puto sabia como encantar as mulheres.
Pedimos a conta, ele recusou o dinheiro delas, disse que nós dois pagaríamos, um verdadeiro cavalheiro. Sorri felicíssimo, puxei a carteira, uma semana de trabalho gasta em duas horas. Na saída meu grande amigo me dá um abraço caloroso e me deseja uma boa noite, a dona do decote toma um táxi, Paula e Beta dão um tchauzinho sorridente, e o acompanham, uma em cada braço. Conto o que me sobrou no bolso, e tomo o ônibus com destino à Praça da Bandeira.

André Luis Pontes, diário sem floreios, 1997.

16.6.10

O cerne




Empreendeu, por fim, a grande viagem

Ao ponto mais austral de seu ser,

Suas experiências passadas mais traumáticas

(As boas e as ruins)

Lanhando-lhe o equilíbrio.

A náusea surda

De ascender ao cerne,

Que neste plano

Quem pode discernir

O dentro do fora?

“É um soco no estômago

Descobrir suas lacunas”, pensou

E a revelação última

Quando descobriu

Em Deus e no diabo

A mesma e única pessoa.

Ali seu limite.

“Uma coisa é a verdade,

Outra coisa é o que se quer enxergar”.



(Aos 28 de Janeiro de 2006, poema do tomo Jesus O Nazareno, parte do livro Acontecente, lançado pelo Presença em 2006)

7.6.10

Do tempo

....................................................................Pintura de Kirchner.

Enquanto esperas passa o trem.
A praça já foi maior,
e a alegria idem.
Ninguém leva todos,
quase todos já se foram,
ou ficaram,
na lembrança do tempo que passou
e esqueceste de vivê-lo.
É frio o teu olhar ou é fria tua coragem?
Haja medo ou bravura é a ação que vale a pena.
E tu não age , tu não arrisca,
e o dia passa mais uma vez.
----------------------
Dezembro de 2001.

1.5.10

Sombras


Há uma árvore na rua

Uns três poucos metros, sob a varanda.

Ela conforta serenamente

Um meu sombreado vizinho.

No andar de baixo.


Feliz homem

Que a vê saudável e forte

Crescer sem pressa

Na sombra que invade, mais cada vez

As pedras frias do assoalho.


Triste ideia

A de querer colher pra mim

A boa sorte de outro homem

Um irmão

Cuja varanda é mais fresca que a minha.


vila isabel, 01 de maio.

27.4.10

Tailande




Me vi desenferrujado
Jogando bahts nas feridas sarnentas
de cães em estradas poeirentas
que antecedem praias azuis,
Carros de som anunciando muay thai,
A face do campeão de Ko Samui
encontrando o cotovelo do oponente;





Não são só as boas sensações
que, à beira deste bom mar
Vão caindo, alheias, no puçá;
Gringos que acham que o local está
No ponto onde eles estavam há décadas,
Colocando uma batida em Haad Rin,
enchendo a cara de gim,
tentando, a todo custo, a paz.





Me vi sem idioma e tailande,
Fazendo wais, dsencanado,
conhecendo thais, furando tostões,
Desapertando botões,
torcendo para que pare
o tic-tac alucinado,
Procurando praias,
O tempo.




(Ko Samui, aos 26 de Abril de 2010)

17.4.10

Viagem de trem

........................................ Ilustração de William Galdino



Cruzam-se todos, na estação de trem,
Os mil destinos dos que estão ali,
Abençoando-os o deus Devir
Com as surpresas dos que vão e vêm.

Famílias, sóbrios, ébrios, andarilhos,
Caixotes, mochilas, sonhos distantes
Diluem nos trens quimeras errantes,
No longo trilho os mesmos estribilhos...

Nunca escutei passar locomotivas
Sem desejar, de formas emotivas,
Estar a bordo, com todos os demais

Tripulantes, todos desconhecidos,
Dividindo os ferroviários idos
Sobre os múltiplos caminhos metais.



(Bangkok, aos 17 de Abril de 2010)

16.4.10

Figuras do Presença

.....Durante os anos de atividade do Presença - 6 anos, a serem completados em Dezembro deste ano - e de lançamento dos livretos de poesia meus, do Vinícius e do William, algumas figuras ilustraram os livretos e o site; algumas foram efetivamente usadas, outras descartadas. Seguem algumas.






................................................Poeta sul-africano Afonso Nives









.............................Representação descartada do ferrenho Nives









.......................O poeta Isaac, num momento mais calmo







....................Capa do livreto "Jesus, o nazareno" (Isaac)






...O poeta Vinícius Perenha, num raro momento de descontração








......O poeta William Galdino, feliz em posar para o retrato

3.4.10

Fardos

Sou um sucesso
De bilhões de células, filha.
Você é o sucesso das oito?
Sustenta o café com açúcar ou adoçante?
Sustenta seu gosto por Truffaut ou Buñel?
Estamos num café em Del castilho, porra.
Mumbai, Buenos Aires, Maputo...
Com açúcar?
Inatingindo, engarrafando,
O vestido pro casamento do Leco,

Pára, porra.

Quando o casamento
da cuca com o tanque
do seu corpo?

Quando o encontro do pente com os cabelos
num aeroporto em Moscou?

Quando você volta?
Quando deixaremos de ser
escolhas entre açúcares e adoçantes?



(Aos 25 de janeiro de 2009)

25.3.10

Fragmentos asiaticos

O fim da infancia

Bancos despejando, a quilo,
Creditos de papeis inexistentes,
Uma imagem seria
Pra criancas jogando bafo
Com notas promissorias,
Chupetas de cigarros
E cafes com leite
Chamados "Latte",
Carrinhos Rolls-Royce
O meu maior que o seu,
Policia e ladrao
Com AKs-47;
Infantes jogando Green Beret.
Quando criancas brincamos de adultos,
Quando adultos...

= = =

Jogou as ancoras
No distante Oceano Indico
Pediu ajuda aos corais
Pois que os homens nao tem tempo;
Parou e sorriu
Que grande ironia sao nossas vidas,
Refletiu, consentiu,
Vendo todos seus atos
Distantes do que realmente
Tinha querido fazer.


(Siem Reap, 25 de marco de 2010)

22.3.10

E de repente muda

............................................................................................................Kandinsky

E de repente muda
..........................................................Para o marujo Isaac.

Dizem-lhe é isto
Agrada-lhe o ser aquilo.

O rosto não se encaixa no resto.
A estreiteza do uniforme lhe trava os movimentos.

Abre um botão
gira um pouco pro lado o pescoço

e eis que de súbito

o entorno
já é outro.


Do livreto Torres homem 278.

3.3.10

Fade

Uma barca, na areia
Cercada de areia e outras barcas, infinitas embarcações
Que não seguem, mas avançam
Expandem suas proporções, tocando, de leve
Umas às outras.

Estou de pé, numa delas
Imaginando até quando navegar será preciso
O que será preciso
Sendo em solidão, tantos
Minha própria barca.

Nessa terra
Que mistérios, tantos sons
E encontros
E areia.

Tão pouco é fundamental
Tão pouco é definitivo
No fim do caminho só há o caminho

E as barcas que não são barcas
Nem areia
Ou horizonte.


Vinicius Perenha, Março, 2010.

24.2.10

Tirolês

Saudações, Presença !
Chegamos a Hong Kong e, portanto, conseguimos driblar a censura do governo chinês a todos os blogs do Blogspot. Segue o "Tirolês", que compus numa Xi´an repleta de neve.
Grande abraço aos amigos leitores !


# # #


Respirava o ar, repleto,
Da areia vinda do deserto,
Sorrindo, pleno,
Suando, incendiário –
Plenipotenciário.
Bebia sementes e comia guardanapos,
Draconiano em seus atos,
Os populares estupefatos,
Enquanto cantava tirolesas,
Matando baratas com piadas,
Abrindo um olho e fechando o outro
A velocidades estúpidas,
Cobrava e amava com a mesma destreza,
Defendendo a vida em jogos de mahjong
Na Shanghai dos anos 30,
Insólita natureza,
Jogava dominó sozinho
Com caroços idênticos de cerejas,
A padres reservava arrotos,
A mendigos soluços
“Que desejas?”
Indagava, hirsuto,
Fornecendo a própria resposta,
Unitário, resoluto,
Idílico, sádico, arenoso,
Quando se perdia em adjetivos,
Geográfico em suas pizzas à francesa,
Fazendo piadas, sempre,
Sempre à tirolesa.


(Xi´an, China, aos 9 de fevereiro de 2010)

17.2.10

Ancestrais

Posto aqui um belo poema que me foi enviado pelo marujo-errante Isaac , fruto da sua mais recente expedição pelo continente asiático.

ANCESTRAIS


Canto mesmerizante do vagar,
A estrada une pontos,
Desvela os ancestrais milionares;
O primeiro medo surgiu
Antes do advento da memória,
Há incontáveis séculos
Nadando em um mar revolto e –
No topo de cada uma das ondas insanas
A visão noturna de mil baleias,
Todas de olhos amarelos brilhantes,
Faróis no impenetrável da noite.

Em Tokyo infinitos insetos
Se apinham do lado direito
Da escada rolante;
As lágrimas traçando o primeiro caminho
No rosto cansado,
Defronte ao cânion rubro-dourado,
Nasceu o primogênito da paz pela força,
Do amargo-arsênico
Da dor pela palavra.

Polegar articulado, macaco moderno,
Navalha em punho
Faço a barba com a mão esquerda ligeiramente levantada,
Cacoete ainda
Da música do monolito negro
E choro gotas de unificação.
Em Beijing não há egos,
Estarreço diante do Grande Irmão;
Faça o quanto antes
As ansiosas contas
Com seu próprio passado.

Isaac Frederico (5 de fevereiro de 2010)

11.2.10

O cobre das pombas

O sol não podia mais
comia a gordura rápida
do alto planeta inteiro

uma calculadora praguejava
seus salários que não davam conta
na mesma sombra
onde passarinhos de capuz
limpam um jardim antigo

cavadores se fantasiam
e correm tubos de uma névoa grossa
sob o chão macio

guardas e xamãs
brigam por tabaco
e seus olhos pintados
não veem o ninho de cobre
onde a videira canta seu mantra

pombas marcham sobre a grama
e os piolhos das penas
alimentam o terreno
eles são à prova de seus planos
e fazem desse barro branco
o palanque para seu silêncio



[03/02/2010, jardim da Casa de Rui Barbosa | Rio de Janeiro]

13.1.10

Barcarola nuvem

Hoje é quase dezembro*
e não chove nem há sol
o lusco-fusco se põe entre os dias.

Hoje é quase dezembro
e o seu barco de madeira já não vejo.

As árvores de natal já não fazem sentido.

As ameixas reluzem em sumo sobre a mesa
e o sabor é uma memória que lateja.

Três vezes em guerra
a se debater
a empurrar
e a falar pros teus ouvidos

espirais coloridas

tulipas de algodão.

E o que poderás entender do que tenho visto?
Riscos de antemão.
Luzes incessantes percorrendo pautas musicais.

Segredos costurados nos travesseiros.

E o medo

e o mijo nas calças
ao ver os fantasmas do porão
e não havia porão em tua casa
e não havia porão em minha-tua-nossas casas.

e o eco te sobe pelas pernas
e o que verás?

Teus são teus olhos
e o que chamas de vermelho
para um outro talvez não seja.

Há uma mesma tarde no tempo

distinta para cada um de nós.



*verso roubado de algum poema que não me recordo

22.12.09

Lançamento do livreto " Torres Homem, 278 "












Fala rapaziada
Teremos hoje o lançamento do livreto de poesias " Torres Homem, 278 " pelo Presença, lá na praça São Salvador, perto do Lgo do Machado.
O evento rola a partir das 1830hs, daqui a pouco na verdade.
O livreto contém 5 poesias inéditas de cada um dos 3 autores - William Galdino, Vinicius Perenha e Isaac Frederico e conta ainda com 5 ilustrações do William.
Serão 30 cópias, distribuídos pelos presentes por ordem de ordem nenhuma.
Então,
O quê @ Lançamento de mais um livreto do Presença, "Torres Homem, 278" -
Onde @ pça S. Salvador, próxima ao Lgo do Machado -
Quando @ Hoje, 22 de dezembro de 2009, às 18:30hs -
- - -
Enganador
Arteiro que sou,
Um fanfarrote sênior,
tapeio meus versos
prometendo-lhes a vida num poema
tanto-sílabo e royal
E eis que agora moram
no albergue bufonal
deste texto escaleno –
que nem a boas rimas se presta!
Pagaram caro, queriam fama,
A escalada literária!
De boas penas tinham ganas…
Mas foram postos, à moda pária
Por este hadoque doidivanas.

10.12.09

Brasília, 19 horas
agarrada às asas do boing
de gravatas grita: - Fica!

Côncava, plana,
central, estranha, via deserta.

Brasília é a Barra da Tijuca à noite,
embora não saiba.

Brasília desdentada de ônibus-trem-elétrico
voltando.

Brasília é moderna,
embora não caiba nela mesma.

Embora não saiba,
é luz de abajour intelecto
janela sóbria em pequenos prédios - púlpitos suicidas.

É astrofóbica, filosófica...
- É coisa-e-tal, saca?

Brasília é mais cedo,
bala de festa.
Mais-tarde deixa Brasília tonta;
gira Brasília sem braços.

E Brasília têm filhos
e pais separados.
Aguarda adoção.

Brasília ambidestra.
Fala alemão, engole facas.
Agarrada aos fios, é uma criança pedindo colo.

Brasília tem nome,
ora não tem.

O céu quer Brasília mais alta,
chama por ela, que
nem da janela pisca.

Brasília é uma curva desfeita.

Brasília é alcoólatra, posta por conveniência.
É uma prancha e dois pratos.

Brasília é ela.
Que vai embora e chega,
retorna do inferno pro inferno.
Pra outra Brasília
que nunca pisei.
Distinta dela mesma,
de seus detritos.

Brasília que nunca estive,
e já nem sinto o quanto a amo.

Brasília ruiva, hippie e bela.

Agora,
Brasília inteira
é uma curva.

(2007)

9.12.09

Andanças por Mangaratiba

Na pedra um corte
veio aberto a dinamite
vaga -lumes tateiam as folhas
e os postes põem suas lâmpadas pra dormir.
A serra desce sobre o mar.
O vento venta na contramão dos meus olhos.

Não há fala.
Não há gente.

Tenho dois pés
que me levam por um caminho em que nunca passei.
Um cão me late hostil
adiante outro me abana o rabo.

Sobre o asfalto um caracol lança-se à sorte
se for seu dia chegará ao outro lado.

A noite não tem hora
não tem ponteiros.

A pedra transpira.

Há um breve momento
onde o corpo se desfaz
instante em que desato de mim.

Sou uma ave sobre um mourão
uma assombração aos olhos do passante

diante de um rochedo e de um mar que se move.

Amanhã
ao nascer do sol
não haverá o que há.
Será uma outra baía
um outro eu.
.
Tudo fica aqui
e passa
.
e passará.
.
Outubro de 2009

1.12.09

O MANTO

Camaradas, foi irresistível.


Segue, meus caríssimos irmãos de armas, que o pesado manto rubro-negro será, mais uma vez, içado sob o cântico de uma nação e, novamente, milhões de olhos estarão postos sobre a realeza desta tradição de proporções bíblicas que é o Flamengo.

O Flamengo que superando todos os adjetivos possíveis, tal como uma vez previu o grande Nelson Rodrigues, já não se conforma mais à idéia de time ou mesmo de comunidade esportiva. A legitimidade que não pode ser comportada por nenhuma noção que não a de uma força da natureza. De outra forma, a atitude dessa paixão seria coisa sobre ou anti-humana. Mas qualquer um poderá perceber nos olhos de um membro dessa fraternidade a evidência absoluta dos mais elevados sentimentos , a característica cristalina da entrega ao júbilo mais absurdo e ao sofrimento mais indescritível com a mesma certeza de que é nobre pertencer a essas cores em toda e qualquer circunstância.

Cantemos sempre todos os hinos, que de certa forma, todos eles nos pertencem. O ente Flamengo, gigante bicolor sem forma que, na representação da armadura rubro-negra, enverga bravio todos os nomes e rostos, todas as paixões e violências que o amor mais fanático de todos pode conter.

Sejamos gratos, nação. Estejamos à altura. O apocalíptico Flamengo é maior que qualquer homenagem.

O triunfo aguarda os próximos dias na respiração ansiosa e entrecortada de todos os homens. Será com respeito e veneração que o grito explodirá hoje e sempre em todas as bocas e lugares. Entre o carnaval de sorrisos e lágrimas não haverá mácula ou infidelidade que resista. Todo e qualquer homem vivo saberá que o Flamengo é campeão.



Vinicius Perenha, 01/12/2009.

27.11.09

14.11.09

Aprendo

Aprendo a ser melhor
que a cabra
que a ferramenta na caixa
que o dobre d´água.
Sendo pior que eles,
não sendo nada.

Aprendo a reconhecer o mau
nas aranhas que me esquecem
nas pessoas-porta-retratos que os suportam
os porta-retratos, sendo pessoas.
O mau que urge nas silenciosas caras
que aflige famílias, doenças graves
Aprendo sendo melhor que ele - o mau,
existindo como pessoa
despregada de paredes.

Aprendo a ser mais forte
que o sino
que o mar na manhã trêmula
que a faca sobre o dedo da velha
sobre o peso das costas
que a corda bamba de mendigos
muro de alcançar baixios.
Aprendo a ser mais
sendo menos,
tênue fio que se estanca.

Aprendo a resolver o meu medo
no escuro
mergulhado num mar de cinzas sonoras
tubarões e sacis me perseguem
agonizando entre terreiros de macumba
capas negras e vermelhas sob a fumaça dos caximbos
a orca, o vizinho queimado vivo, o desenterro do amigo
olhos mortos na pele que devora o riso.
Aprendo a ter coragem
não tendo, deixando que o monstro me alcance
tornando-me algum tipo de monstro.

Aprendo meu delírio
vivendo-o
no duro concreto da mais absurda realidade
meu mastro fundo, falo!
no ácido que me toma
estrelas-irmãs
telefonemas solitários
tudo pra um dia que não existe
Aprendo a delirar delirando
rasgando o que me parece ter algum resto de delírio.

O irreconhecível mente

Talvez não estivesse
exatamente vivo
exatamente desesperado - como pareceu
exatamente eu.

Talvez fosse apenas um outro.
Um desconhecido de mim, de você.
Desapegado desse instante, desentranhado.

Talvez nem tenha sido assim
vai saber?!
E discreto, talvez, nem tenham percebido.
E este eu, qual desconheço,
poderia estar mentindo,
fingindo-se passar por um outro de mim
que ainda não me chegou o momento exato de ser.

11.11.09

Impontual

Estou aqui,
com meus dracmas,
suei, cheguei,
dúzias e destinos depois,
disse-te, viria,
dramático, dodecadividido,
Mas puma,
Pontual, todo presente.

Ilê, mas – cadê?

a sabendas não vens,
ou caminhas?

Impontualesces?


.....Fazes-me levêdo?

Estiveses e verias
Os caminhões atochados
de segundos, de sargaços,
de serviços e sonháculos
.....e outros levantiscos afins,
que nem eu sei mais o que são.



(Aos 6 de outubro de 2009)

4.11.09

A rua tempo

Na Voluntários passo
como eles
voluntário

há quanto tempo não me ligo
três nove setenta
quatro três sete cinco

mais que marginal
imaginário
ser a terceira margem do rio

**

Ao quererem-se nos Inválidos
invalidam-se e somem

e os sonhos bons
quem dera os fosse
são segundos

os primeiros
neles e no tempo
se acanham

e perduram
e perduram
e perduram

**

Os muros da escola atentos ao cego que voa
Nuvem bailarina no mar de eutanásia dos tempos

**

A Passagem aberta
doce
de portais de amêndoa

em raios da hora nova
é nos novos arranhões

o sono solda
tempos breves

e outubro passa
como música
no ônibus

poemas fruto das ruas Voluntários da Pátria, Inválidos e Passagem do Rio de Janeiro

27.10.09

Diário do México - final


Detalhes reveladores do Terrazo de los muertos, onde eram realizados os sacrifícios dos membros do time perdedor, no Gran Juego de Pelota, uma espécie de jogo de bola de pátio que existia


Observatório astronômico em Chitzén Itzá, repare nas semelhanças com os observatórios modernos (domo redondo)


Detalhes da aquitetura maia, muito mais elaborada e detalhada que a azteca



Evidência clara do sistema de pontuação do Gran Juego de Pelota, no pátio, onde o time que mais vezes passava uma bola por entre o aro, mais pontos fazia



Detalhe da arquitetura maia
# # #


.....07 jan

.....Conceito importante: na região da Cidade do México e arredores, os indígenas locais eram aztecas. Aqui na Península de Yucatán, não; aqui eram maias, outra raça, outra cultura, tudo diferente.

.....Os maias – inventores do conceito do zero, avançados astrônomos e matemáticos, artistas, filósofos e escritores sofisticados, arquitetos de alguns dos maiores monumentos conhecidos – criaram seus primeiros assentamentos no que hoje é a Guatemala, cerca de 900 a.C. Ao longo dos séculos a expansão maia se deu para o norte e por volta de 550 d.C. havia cidades-estado maias na parte sul da península de Yucatán.
.....A última das grandes capitais maias, Mayapán, começou a colapsar por volta de 1440 devido a lutas internas pelo poder. Em 1540 o conquistador espanhol Francisco de Montejo utilizou as tensões internas do império maia para subjugar a península de Yucatán.
# # #

.....Acordamos às 4hs da matina para pegar o vôo das 0620hs para Mérida, no aeroporto internacional Benito Juarez. Acho que, nesse momento, não havíamos ainda nos dado conta da importância de conhecer não apenas a cultura azteca, a principal do México, mas também a maia, que floresceu em toda a península de Yucatán.
.....O vôo saiu na hora mas pousou antes – e inesperadamente – em Campeche, devido a condições adversas de visibilidade no aeroporto internacional de Mérida. Às 1130hs, entretanto, já estávamos vagando pelo centro histórico de Mérida, em busca de um bom hotel a um preço satisfatório.

# # #
.....Francisco de Montejo fundou Mérida em 1542 e utilizou os nativos maias como mão-de-obra escrava; quando o México se tornou independente da Espanha em 1821, o território de Yucatán foi utilizado como largas plantações de tabaco e cana de açúcar. Embora legalmente livres, os maias eram escravos devido ao sistema das dívidas que criavam com os latifundiários.
.....Em 1847, após quase 300 anos de opressão, os maias se sublevaram, assassinando cidades inteiras de brancos; foi o início da Guerra das Castas, a rebelião mais organizada em todo o período de dominação espanhola. Finalmente, em 1901, a paz foi obtida mas ainda passaram-se 300 anos até que o estado Yucatán de Quintana Roo passasse novamente ao controle do governo.
.....A cidade de Mérida é a capital do estado de Yucatán, que abriga antigas cidades maias como Chitzén Itzá e Uxmal, bem como as coloniais Izamal e Valladolid. Mérida – antigamente a grande cidade maia T´hó, foi a principal cidade de contato com a Espanha da região de Yucatán, durante o período colonial; durante a Guerra das Castas apenas Mérida e Campeche foram capazes de resistir ao assédio dos rebeldes; nessa época Mérida recebia ordens apenas da Espanha e não da capital da colônia, a Cidade do México. Foi apenas com ajuda da capital colonial que Mérida conseguiu evitar a submissão aos rebeldes, durante a Guerra das Castas.
.....Nos chamou a atenção o clima daqui, quente e úmido, completamente diferente do clima seco da Cidade do México. Na verdade isso foi um certo alívio, para nossos padrões cariocas.
.....Aqui há simplesmente uma enorme quantidade de turistas, pudemos logo perceber em nossa busca por um hotel. Posteriormente, conversando com as pessoas, viemos a saber que há poucos turistas brasileiros; a maioria dos turistas aqui são americanos, canadenses, alemães e franceses, tomando a cidade inteira (centro histórico) e movimentando boa parte de seu comércio.
.....Achamos rapidamente um hotel em conta, não tão longe do centro histórico, e saímos pra almoçar e caminhar pela cidade, a fim de relaxar e coletar as primeiras impressões. Estávamos exaustos, em um estado semi-onírico, em virtude da madrugação de ontem e do desgaste do vôo.
.....E nesse misto de cansaço e confusão, fizemos uma andança. Percebemos de imediato uma certa mudança na fisionomia das pessoas, em relação ao povo da capital: todas igualmente indígenas mas de compleição mais atarracada e rosto mais redondo. Achamos os nativos mais simpáticos também, mas difícil dizer se isso tem origem na raça, na cidade bem menor em relação à capital ou simplesmente no fato de ser um lugar completamente orientado para o turismo.

.....Passamos pela Plaza Grande, coração da cidade, e vimos a Catedral de San Ildefonso, o Macay – Museo de Arte Contemporanea Atheneu de Yucatán, a casa de Montejo, que abrigou os familiares descendentes de Francisco de Montejo até cerca de 1970, o Palacio Municipal e Palacio Del Gobierno, onde compramos nossas passagens para Chitzén Itzá para amanhã, às 0630hs; passamos também pela Iglesia de Jesús, Teatro Peón Contreras e Universidade de Yucatán.
Pela tardinha tiramos um cochilo inevitável e deois saímos para jantar e comprar protetor solar para a jornada de amanhã. De noite caímos, esgotados.
# # #
.....O diário que fizemos termina aqui; a partir de Mérida, fizemos a viagem até Chitzén Itzá, ilustrada em algumas fotos acima, ficamos mais alguns dias em Mérida e depois regressamos à Cidade do México e em seguida ao Brasil.
.....Ainda que breve a viagem, pudemos coletar dados sobre a história, informações antropológicas e artísticas deste país interessantíssimo que é o México. A compleição das pessoas, de que forma os movimentos anteriores de sua história desembocavam na situação de hoje, o caráter passional de muitas partes da história do país, a pouca mistura das raças, ao contrário do Brasil, a também imensa influência da Igreja Católica, a base alimentar assentada no milho, os museus impressionantes, a pimenta em todas as comidas, o assombro e pesar com o resultado do choque de duas das maiores civilizações à sua época, os pensamentos vagando sobre o que poderia ter acontecido, fosse preservado o legado indígena dos Aztecas e Maias... Poderia ter havido tal encontro pacífico, tendo em vista o caráter colonialista dos espanhóis e o caráter beligerante dos aztecas ?
.....Gracias México !

23.10.09

Diário do México - 11


Av. Paseo de la Reforma, com el Ángel


Outra obra de Gustavo Monroy, desta vez um autorretrato


Painel com aspectos da cultura mexicana, como Quetzacoátl, o deus-serpente, e o milho, pilar da cultura alimentar azteca até hoje (saindo de sua boca) e o sol


Pintura pré-hispânica, nas ruínas de Teotihuacán



Virgem de Guadalupe, padroeira do México

# # #


.....06 jan
.....Acordamos imbuídos de decidir nossos próximos passos, sem maiores delongas, já que o dia da passagem de volta se aproxima, aos poucos. Ficamos entre algumas opções, como Tula, Puebla, Oaxaca, Acapulco, Cancún – no fim decidimos mesmo por partir amanhã para Chitzén Itzá, na península de Yucatán, e voltar sexta à noite; sábado à noite é nosso vôo de volta para o Brasil.
.....Decidido isso partimos para compra as passagens e ver algum filme no cinema, a fim de descansar um pouco as pernas, doloridas das últimas andanças. Caminhamos pela Paseo de La Reforma até o escritório da Aeroméxico e, compradas as passagens, partimos para o shopping da Plaza Delta, perto da estação de metrô Centro Medico.
.....No shopping almoçamos e vimos um filme; depois do filme recapitulamos as coisas que vimos na capital, os traços indígenas das pessoas, a maior presença de brancos descendentes de espanhóis dentro dos shoppings, o frenesi e a poluição da capital, os museus 5 estrelas, a vívida arte local e os renomados artistas, a intrigante história das diversas civilizações pré-hispânicas e seu choque bizarro com os espanhóis, notadamente com a chegada de Hernán Cortés em 1519, a cultura alimentar baseada no milho desde os tempos dos aztecas, as relações com o vizinho do norte, os EUA, o sentimento das pessoas com relação ao passado colonial do país etc.
.....Compramos algumas lembranças e partimos de volta para o hotel; amanhã teremos que acordar por volta das 4hs para conseguirmos pegar o vôo para Mérida às 0620hs.

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(Última parte do diário a ser publicada em 27.10.2009)

19.10.09

Diário do México - 10

Teotihuacán


Detalhes aquitetônicos

Calzada de los Muertos vista do topo da Pirâmide da Lua


A impressionante Pirâmide do Sol



Pirâmide da Lua, ao final da Calzada de los Muertos, vista do topo da Pirâmide do Sol

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.....05 jan

.....Hoje acordamos bem cedo para ir conhecer as pirâmides de Teotihuacán, a cerca de 50km a norte da capital. Pegamos o metrô até a estação autobuses del norte e de lá pegamos um ônibus até a entrada do parque, aproximadamente 1h de viagem e r$ 6,00 cada pra entrar.

.....Logo ao avistar a magnânima Pirâmide do Sol, das planícies de Teotihuacán, já sentimos a vibração desta que foi uma das maiores cidades pré-hispânicas, com sua população tendo chegado a cerca de 200.000 habitantes em seu auge.
.....A Calzada de los Muertos, cortando a cidadela no eixo norte-sul, é circundada por enormes espaços planos e qItálicouadrados, por sua vez perimetrados por escadarias. A imponente Pirâmide da Lua, ao final da Calzada de los Muertos, é linda em sua meticulosidade, ainda que de menores dimensões que a Pirâmide do Sol.
.....Subimos ao topo desta e descansamos um pouco, estarrecidos pela energia do lugar e imersos nas reflexões sobre como deveria ser a vida ativa, sócio-econômica e religiosa desta cidadela; o trabalho e a energia gastos na erição das pirâmides, a acentuada religiosidade e oferendas e Quetzacoátl, os escambos... Ficamos felizes por estarmos compartilhando a energia juntos, mais esta viagem, mais estas reflexões antropológicas, mais esta ciência do quão pouco somos, mais este brainstorming da mente inserida em novas geografias, liberta das amarras das rotinas, sondando outras eras, uma espécie de portal no tempo e a oportunidade quase grotesca de olhar para nossos atuais e questionáveis caminhos e nos perguntarmos que tipo de inserção queremos ter.
.....O sol abrasador, a areia, os cáctus também me trouxeram uma espécie de torpor, a insolação me castigou, arrastei os passos, agradeci mil vezes a Avalokiteshvara pelo vagar vago e pela fata morgana confusa e ondulante saindo da areia quente e sufocante, levantando vôo e entrando nos pulmões, cegando os olhos, a experiência ao mesmo tempo triste e fascinante de facear aquelas estruturas e sentir um misto milenar de culpa, devaneio, humildade e entrega nas mãos do Devir; ao meio-dia estavam presentes Inti, Tláloc, Ganesha, Selasié e o mártir dos mártires Yeshua, fundindo as lembranças inolvidáveis de Mescal, Sidarta, o despertar de si mesmo, de uma simples postura ereta a um plano maior absoluto, a compreensão disso no eixo do tempo, e um simples roer de unhas à entrega de uma vida no fluxo incessante do vir-a-ser.
.....Confuso, com fome e feliz, vaguei de volta, ao lado da Lígia, para a entrada do parque onde pegamos, por volta das 15:30hs, o ônibus de volta para o centro.
.....Precisamos decidir os passos finais da viagem, os próximos dias, já que nossa reserva neste hotel termina amanhã; pintam como opções idas a Tula e Chitzén Itzá, mas ainda não estruturamos o lance direitinho.
.....Ainda passamos no Zócalo para ver alguns murais na Secretaria Pública de Educação mas estava fechada já que hoje é véspera do dia dos Três Reis Magos, importante data nacional. Voltamos a pé para o hotel empreendendo a longa jornada pela Benito Juarez e Paseo de la Reforma, ainda passei para usar a internet, cheguei no hotel como um supliciado, exausto e feliz, bobo, ausente. O Devir seja louvado.

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(Penúltima parte do diário a ser publicada em 23.10.2009)

16.10.09

Diário do México - 9

Eu e um vitral com o símbolo da gênese da civilização mexicana - a águia sobre o cáctus, devorando a serpente, no Castillo de Chapultepec.


"Las dos Fridas", um dos famosos quadros de Frida Kahlo, no Museu de Arte Moderno.


Painel retratando momento da História do México, no interior do Castillo.


Jardins no plateau superior do Castillo de Chapultepec.



Monumento a Los Niños Heroes, no bosque de Chapultepec.

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.....04 jan

.....Mais um dia na Cidade do México! Vamos dedicar o dia de hoje ao Bosque de Chapultepec, o “morro dos gafanhotos”, na língua Náhuatl, o maior parque da capital, com mais de 4km quadrados, com lagos, um zoológico e alguns excelentes museus. Pegamos o metrô por volta das 0930hs e descemos na estação Chapultepec, de onde adentramos o parque andando, em direção ao castillo.
.....O Castelo de Chapultepec, no interior do bosque, foi construído em 1785 como residência para os vice-reis da Nova Espanha. Após a independência o castelo se tornou a Academia Militar Nacional e foi tomado em 1847, durante a invasão norte-americana; nesta ocasião, mais de 8000 tropas ianques avassalaram o local, quando se forjaram los niños heroes. O general mexicano Santa Anna liberou os cadetes de resistirem, vislumbrando o massacre, mas seis cadetes, de 13 a 20 anos, preferiram a morte resistindo do que o rendimento.
.....Após a execução de Maximiliano de Habsburgo, marcando o término do chamado Segundo Império mexicano, o castelo se tornou residência dos presidentes mexicanos até 1939, quando o então presidente Lázaro Cárdenas o transformou no Museu Nacional de História.
.....No caminho para o impressionante castelo passamos pelo monumento aos seis niños heroes. Chegamos ao castelo após a agradável caminhada e logo nos impresionamos com a vista esplêndida do local, a ~45m acima do nível do resto do parque. O castelo está muito bem cuidado e seus jardins impecavelmente podados; no seu interior encontram-se mais alguns dos tão caracteristicamente mexicanos murais, como o Painel da Independência (de Juan O´Gorman) e Do porfiriato à revolução, de Siqueiros.
.....O restante do museu é repleto de uma explanação excelente da história moderna do México, aproximadamente da Independência à presidência de Lázaro Cárdenas; foi fera para decantarmos os parcos conhecimentos que adquirimos estudando a história do México nos últimos dias.
.....Do castelo partimos para o Museu de Arte Moderno, isso ainda dentro do bosque.
O Museu de Arte Moderno não possui um vasto acervo mas possui algumas jóias impactantes, como o internacionalmente pop Las dos Fridas, de Frida Kahlo. Vimos ainda mais quadros dos consagrados Dr. Atl, Rivera, Siqueiros, Orozco, Tamayo e O´Gorman, além de uma exposição de Remedios Varo de tirar o fôlego, a surrealista veterana mexicana, foi excelente. Pensei no William e em como certamente estes nomes obras o agradariam.
.....Prosseguimos o passeio dominical pelo bosque que, já pelas 12hs, estava agora completamente tomado pelas famílias mexicanas, aproveitando o sol para passear, consumindo todo tipo de comidas locais, maquiando os niños com pinturas dos lutadores mais famosos de lucha libre e confraternizando aos milhares.
.....Passamos ainda pelo zoológico mas fomos desencorajados a entrar pela romaria homérica de pessoas na fila, afluindo de todos os lados, aproveitando a generosa gratuidade do local.
.....A esta altura, sentindo fome e um certo cansaço acumulado dos dias, partimos para o shopping de Coyoacán, onde almoçamos e tomamos um expresso revitalizante. Depois regressamos para a Zona Rosa, compramos alguns víveres e encerramos a caminhada de hoje; amanhã partiremos para conhecer as ruínas de Teotihuacán, a norte da capital, e certamente precisaremos das energias renovadas.

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(Continua em 20.10.2009)