1.5.10

Sombras


Há uma árvore na rua

Uns três poucos metros, sob a varanda.

Ela conforta serenamente

Um meu sombreado vizinho.

No andar de baixo.


Feliz homem

Que a vê saudável e forte

Crescer sem pressa

Na sombra que invade, mais cada vez

As pedras frias do assoalho.


Triste ideia

A de querer colher pra mim

A boa sorte de outro homem

Um irmão

Cuja varanda é mais fresca que a minha.


vila isabel, 01 de maio.

4 comentários:

william galdino disse...

Como já dizia o outro Vinicius, o de Moraes, a poesia está em tudo, a gente é que muitas vezes nào enxerga. Um poema pode surgir a qualquer instante, de um olhar pela janela por exemplo.

E sei que náo é do teu feitio querer as sombras dos outros, preferes plantar tuas próprias árvores.

isaac disse...

As rimas nao escravizam a poesia do Vinicius, sabia decisao que lhe permite retratar aspectos como este.
O poema tem um vies tridimensional muito forte, que me chegou mais do que a questao levantada em si !

Vinicius disse...

claro, william, claro. isso foi coisa do eu lírico... eu mesmo nunca tive invejas, nem das sombras nem das rimas elegantes de ninguém. vai por mim, pura verdade.

e não entendi teu comentário direito, isaac. esse negócio meio circunstancial, meio retrato, já foi uma tua especialidade, para além de qualquer coisa com rimas ou não. vide o hidrante.

grato aí, moçada. soa bem esse retorno!

Rachel Souza disse...

Sim,poesia num grão de milho! Eu vi. Tá no blog, se aguentar uma visita ao meu cafofo virtual.