28.8.06

Entre Tanto pt. 1

William Galdino é um amigo da Ilha do Governador, que não vejo há tempos e tempos. Na última vez que o vi, havia lançado o livreto Entre Tanto, o primeiro e único, até então.
Recheado de elementos absurdos, kafkianos; a inconfundível marca de uma fase solitária e introspectiva se revela seca a um primeiro olhar, mas não tanto em alguns tropeços inevitáveis durante a leitura, que sugerem uma sensibilidade afiada, dentro do estilo bem desenhado e confuso das paisagens presentes nas linhas.

Delírios

Assumir qualquer impotência,
E sumir na nuvem da pacificação.
À noite os velhos voavam insanamente.
Estrondosas gargalhadas cortavam o ar.
Enquanto isso,
Eu observava os movimentos bruscos,
Das estrelas despedindo-se,
E me acalmava junto a um copo d’água.
Feito bêbado sem lar,
Comunicava ao luar minha existência numérica,
Gritava ao céu:
Sou e estou! Nada além disso!
Tomei conhaque em bares sujos,
Acompanhado unicamente pelo senhor de chapéu de palha,
Que insistia em se dizer invisível.
Adormeci nas escadarias de uma breve rua,
Que levava-me a lugar nenhum.
Sumi e despertei onde estou,
Frente ao espelho.

(William Galdino – fevereiro de 2004)


Um comentário:

isaac disse...

ae vinícius
gostei bastante desta poesia do william, ela reflete alguma desesperança ébria mas sóbria.
"sou e estou! nada além disso!", eis aí a sobriedade.