20.4.07

O louco na praça

o centésimo-vigésimo post no presença é um poema-seleção;
me caiu esta bomba na mão, um dos melhores poemas do Fábio Alves, repleto de estímulo aos sentidos - principalmente ao sentido do atordoamento. um dos melhores e mais fortes poemas já postados no presença, em minha opinião e gosto.
alou presença, rumo ao milésimo post !

* * *

Sob o sol do meio-dia
Reflete as cores brancas
Calorosas e frias
A praça de bancos
Repleta
De pessoas
Vazia

Sob a torrente de luminosidade
De soslaio olhando
Atordoados se dedicam
À rotina de contratempos
Repleta
De amenidades
Vazia

Sob a barba e terno negros
Maltrapilho e suado
Prega a palavra desesperada
De significados
Repleta
E de lógica
Vazia

Sob as asas da doutrina
Os transeuntes nem mesuram
O valor do qual desatina
Que mostra ser
Repleta
Nossa vida
Vazia.


(Fábio Alves, aos 17 de julho de 2007)

2 comentários:

william disse...

A praça como lugar do encontro, dos transeuntes, morada do louco que dorme em seus bancos, cheia de gente se desncontrando, repleta e vazia, repleta e vazia, repleta e vazia..., eis o ritmo em que o poema se desdobra, um respiro após cada vazio, uma tomada de ar para se encher novamente.Belo poema.

isaac disse...

pdcr, não tinha percebido essa visada da respiração, mto foda.
"de significados repleta, de lógica vazia" foi demais pra mim, que tiro broderrrr hehehehehe