5.7.07

Balcão

Qual segredo esconde o vale
Que daqui de fora vejo
Por onde anseio passear a língua
Encardida de desejo?

Tamanho encanto te deste a sorte
Ao sem querer nascer com tal sorriso
Onde querem tocar meus lábios
Ansiosos submissos

Gaguejo ao interpelar-te
Quando chega em mim a fila
Transformando um coração
Que é de pedra em argila

Queria eu ver-te completa nua
Ver rosar teu rosto augusto
Pois definir a crueldade - para mim
É ver-te só o vestido busto

("São quatro reais, senhor."
Diz-me sem emoção
A mulher da padaria
Por detrás do seu balcão)

E então, pago-lha com o cobre!!!
E desço a rua sorrindo... feliz só de ver.

(Fábio dos Santos - para o livro LASCIVO)

Um comentário:

isaac disse...

hehehehe
caralho, ex-ce-len-te poema.
falando nisso, quando sai o "tormenta", fabio? sai antes do "lascivo"? :)
aquele abraço