28.7.08

Sentado à beira mágoa os montes vejo

.....Mais um poema do Grego - Rafael Huguenin - o poeta e filósofo camisa 10 dos sonetos ditos "independentes", e aqui não há pretensão alguma de cunhar termos nem introduzir divisões, até porque a poesia não pode ser certeiramente dividida entre alternativa e mainstream, como a música, por exemplo. Ou até pode, mas são outros os parâmetros.
.....Este belo poema traz uma carga forte de angústia e tem um acabamento belíssimo.
Abraços e presença !

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Sentado à beira mágoa os montes vejo,
órgãos afiados que projetam cumes
e em cujos escarpados, feros gumes
encontro a mesma corda que ora arpejo.

Facas, espadas, dardos que dardejo
contra o céu que se fecha em mil negrumes
não bastam pra calar os pesadumes
que o coração me cortam, e assim doidejo.

As armas contra a dor de nada ajudam,
a cada golpe rudes se desnudam
diversos braços novos que não venço.

E só me restam lágrimas salgadas:
com sentimento tanto assim choradas
me lavam ao menos o meu rosto tenso.


(Rafael Huguenin)

3 comentários:

Guto Leite disse...

Salve, presença! Gostei bastante do soneto, mas não gostei do poema, me explico... Vejo muito desenvoltura verbal e talento neste poema, mas acho que algumas vezes tudo isso é subjugado pela forma, que o limita. Claro que, para mim, há a musicalidade, o tom, o ritmo de um ótimo soneto!

Minina disse...

nossa!

e quanta dor e sentimento de impotência... fiqei me sentindo uma poerinha cósmica, besteirinha quase imperceptível no universo depois d ler este soneto... rsrssr

além disso, foi massa q descobri uma palavra deliciosamente nova: doidejar. nossa! não conhecia esse verbo! e é saboroso d dizer! percebi q doidejo já há muito e nem sabia que o que eu fazia era doidejar!!! rsrsrrs e ah se tem alegria na loucura!

enfim...

nem mais... gostei muito do soneto. soa forte, pesado, intenso, visceral mesmo. é como se a gente mergulhasse na entranha do eu lírico, naqele sangue todo e lá sentisse o líquido, o peso, o vermelho da dor de dentro.

muito massa.


bjo!

FlaM disse...

Cara de sorte...

Invejo aquele
das lágrimas salgadas
e mais ainda a outra,
a das lágrimas doces
Minhas lágrimas
são ácidas
e não caem
não me lavam o rosto
ou a alma
escorem por dentro
alcançam o peito
Ácidas
queimam
ferem
doem

Adorei o poema, Isaac. Lindo! a forma, as palavras sonoras e a verossimilhança na expressão de um sentimento.
bjs, flávia (à beira mágoa)