1.7.08

São Luís baby blue


O sorriso do gato ria alinhado as três marias
Ela os acompanhava com seus lábios de menina
e suas covas engraçadas.
Mas seus olhos traziam um fundo de tristeza.

Por buscas incessantes
Canções de despedida
e lágrimas contidas.

Naquele momento
A rasga mortalha varou o céu num grito.
Coruja branca talhando a noite.

Fenda de asas sonoras.

Acima do mercúrio
e do silêncio.

Maranhão, 2006 .
(Lua de fases, interferência digital, 2008.)

10 comentários:

Mara faturi disse...

Oi poeta,

"coruja branca talhando a noite"...que imagem mais linda.Adorei seu poema, "acima do mercúrio e do silêncio";)
obrigadíssima pela sua visita, visitarei sempre.Estou na correria agora, mas à noite retorno com mais calma e o lerei mais tranqüilamente, como você merece!
bjo

Mara faturi disse...

he,he eu agradeci ao Vinícius e meu agradecimento era pra vc que fez a visita...bem, conheci dois excelentes poetas dessa forma;)
bjo

william disse...

Tudo em casa Mara, seja bem-vinda.

Heyk Pimenta disse...

Amigo, hermano, marginal de gala,

entendi todo o lance que corre na imagem. Fantástico.

Vc sabe que não tô aqui pra costurar aliaça em mão de morto, por isso digo, o poema é bom viu. O tamanho me chamou a atenção, e:

"A rasga mortalha varou o céu num grito"

"fenda de asas sonoras"

"acima do mércúrio e do silêncio"

absurdamente bem construídas, um poema inteligente e de um cenário sensível muito instigante, rapaz, e a colagem ainda vem de brinde, que legal.

Abração, doido.

Minina disse...

"Fenda de asas sonoras"...

tenho nem palavras pra essa constru�o... absurda! linda!

e, olha, m�rito � parte: estive jah em s�o luiz, ano passado, num encontro d pedagogia. fiqei literalmente acampada na ufma... rsrsrsrs isso fez com q eu voltasse, atrav�s do poema, principalmente praqela parte, centro hist�rico (?), "reviver" (?)... l� naqela pra�a bem grande... aqela escadaria enorme... sentei por ali umas vezes, vi a capoeira...

constru� as imagens do poema todo naqeles becos, entre os casar�es... "Fenda de asas sonoras"...

putz, s�o luiz e sua brejeirice.. simplesmente maravilhosa... as pessoas s�o t�o calorosas, sempre bra�os abertos! gostei mto mesmo d tudo l�.

qeria era voltar, passear d novo por l�... o tambor d criola me encantou! tipo, foi o som percussivo mais fren�tico d todos q jah ouvi... desperta todos os vulc�es pr� l� d adormecidos!!! hahaahah

ai!, valeu pelas lembran�as despertadas e pelo poema t�o bem constru�do... d uma sensibilidade, tipo, parece uma fotografia... cada m�nimo detalhe a gente sente aqi....


bjoca, willian,

t�

FlaM disse...

William, querido, vc foi tão chatinho comigo lá no guto hoje que eu nem tenho vontade de lhe dizer como, para variar, eu gostei deste aqui. Nem vou sublinhar minhas imagens preferidas, viu?
"há um sentido nas palavras que vai além de um signifcado restrito". Jura, William?
o-de-i-o ser subestimada, e vc escolheu um péssimo dia para fazê-lo!
Tive que ler várias vezes para entender que vc estava mesmo me dizendo isso!
Mas ainda não entendi...
Pô William, qual é?
(não tô com vontade de mandar beijo. nem abraço!)

william disse...

Olá "minina" compartilho das mesmas experiências e sensações dos lugares que vc falou, terra boa demais. Centro histórico, os tambores e o reviver que lembra um pouco a lapa carioca. Coincidentemente as imagens do poema são fruto de uma noite deitado sobre a grama da ufma onde também estive acampado. beijão e até.

Flávia longe de querer subestimar vc,não façamos daqui um ringue pra troca de farpas, também tenho os meus dias de "chatinho", não é pessoal, minhas críticas se dão em torno dos escritos. e e´claro que gostar ou não gostar é um direito que nos cabe.O espaço continua aberto pra vc sublinhar as suas imagens preferidas e criticar as que não gosta.beijos e abraços.

FlaM disse...

Pô, William, que farpas? Não tá vendo que eu estou sendo carinhosa contigo? Mas tô te dizendo que fiquei chateada. Isso não é trocar farpas. Nem fazer um ringue, pelo contrário, estou dizendo Pô Willim, não faz assim comigo, justamente porque eu admiro vc!
bj, f.

Rachel Souza disse...

Visualizar o sorriso do gato e todo o resto foi, é e será bom.
P.S: comentei com Heyk que um "william" havia comentado em meu blog, aí ele disse: " O galdino! Ele é bom e segura a onda!"
Intê mais vê, moço!

isaac disse...

é moçada, o nível do blog se elevou sobremaneira com os últimos posts; difícil manter o nível, este poema do ville é mais um daqueles de forte impacto, vc lê e fica até meio serenamente triste, de algo que vc nem sabe.

o intercâmbio nas páginas do presença tá gostoso, bonito ver toda essa gente boa cheia de bons versos por aqui.

lua cheia pros exatos !