20.7.08

Tédio




Uma tarefa maçante estaca
O tempo; faz de segundos milênios
E sela com o relógio convênios
Onde o ponteiro das horas empaca.

Ruminando em tal compasso isotônico
Cada instante tem duração de ano,
Superar o tédio draconiano
Exige então esforço faraônico.

A conclusão é sequer aturar
As chatices que virão te abordar:
Deixai-as pros estóicos per natura.

Que cada minuto de saco cheio
Dobra seu peso pra minuto-e-meio
Desperdiçado: lamento algum cura.


(Rio de Janeiro, aos 27 de junho de 2005)

5 comentários:

compulsão diária disse...

Hum, Tédio, Isaac! Gostei do poema.Aaneira como vc vai dobrando tédio em cima de tempo e denovo numa sobreposição de tecidos tédio/tempo. duas coisas que são inseparáveis, hein?
bacana.

FlaM disse...

Ai Isaac, mais difícil que o tempo do tédio, somente o tempo da ansiedade - esse parece que faz o ponteiro andar para trás!
Que bom que aqui o tédio ficou no tempo e não no soneto. Soubestes trazer humor para esse tédio e, com isso, neutralizas o tema dentro do próprio poema.
beijos , querido!
Flávia

william disse...

Eis o tédio, cada minuto virando minuto e meio,ótimo desfecho...
Até que enfim marujo, aprendeu a postar imagens, rs.
abração e até.

Guto Leite disse...

Assino literalmente embaixo das palavras do William! Genial terceto de desfecho! Grande abraço, marujo

FlaM disse...

Isaac, estou lendo os Sonetos da Florbela Espanca, e hoje encontrei esse Tédio dela, que me fez lembrar o teu. Então te trouxe um pedacinho:

O que é que isso me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver

E é tudo sempre o mesmo,eternamente...
O mesmo lago plácido,dormente dias,
E os dias,sempre os mesmos,a correr...
(Tédio, Florbela Espanca)

Beijo carinhoso, FlaM