5.12.06

Reflexões do Interior

Caros,

posto aqui mais uma poesia do Leonardo Schuery, cujos escritos retratam, entre outros, o embate tão presente da fantasia com o real, que é responsável por desdobramentos dos mais intensos na personalidade de cada um de nós.
Muito desse embate se dá nas relações sensuais das pessoas (amigos(as), namorados(as), parentes) e os escritos do Leo redimem na medida em que nos fornecem pistas e análises para compreender melhor como se processa a coisa.
"Os sonhos que consomem a Vida..."


Reflexões do Interior

De acordo estamos então
Você olha, eu vou e você diz não
O roteiro preparado
Personagens etéreos aspirados pelo ar cansado
Vai dizer que não ?
No adágio do meu passo, a sua inquietude
Fragmentando a realidade
E constituindo nada, nada não
É a dialética tácita em vão
Vão de vazio mesmo
Desprovido de qualquer ão
Vai de quê agora ?
A tua diversidade insípida
Manifestos em gestos infestos
Que refletem meu vazio
Nesga de Vida do interior
Pródigos em expressões tépidas de amor
Mas não tem nada não
A tergiversação é consentida
Sustenta os sonhos que consomem a Vida
Mitigando a dor do real
E não há ubiquação alguma
Suma !
Eu falo para dentro.

(Leonardo Schuery, em 22 de maio de 2006)

3 comentários:

vinicius disse...

interior denso pra c*
tijolada nalguns momentos, honesta mas dolorosa.

isaac disse...

me impressiona nesse poema a imagem viva da frustração, daquela onda mecânica do "não" -
e ainda, a imagem viva do cansaço, da incapacidade para a troca, o fluxo interrompido.

renata disse...

um fala pra dentro, o outro pra ninguém. é quando os olhos começam a seguir em direções opostas.