13.1.07

Xeta

E foi lá que eu fui. Cacei, andei, rastejei. Os olhos tristes da vespa faminta em busca de um alimento. Alimentei a minha fome de sangue. Alimentei a minha fome. Minha sede de sangue. Meu sangue de fome. Seca da vida. Vida seca. Da minha espingarda saiu um girassol que se atirou em seu destino absurdo pelo mundo obscuro e por um mar de curiosos. O girassol girou bandido. Mas se fez de surdo quando alguém lhe chamou de sol. Ato, cato, rato, mato, o fraco tato do tatu tarado se desfez em maços de cigarros curtos de palha rala.

E foi lá que eu fui. Voei, flutuei, sobrevoei. Os dedos que se mexiam em forma espiral eram agora um pouco de tinta, de pinta, de pincel de madeira em verniz. Espiral de ar. Concordando com os movimentos do zéfiro, se fez um ato, uma música. Música do bam bam bam, tico taco, glena glino, hino ano, pota pota, guico guico, ram ram ram, potoc potoc. E o ato se fez bandido, banido, bajulado e abaixado. Em pequenas e grandes pernas tortas se fez o ato.

E foi lá que eu fui. Queria admirar tua flor. Queria ver teus olhos. Queria beijar teus lábios. Queria andar em teus caminhos. E foi lá que encontrei o espelho. Foi lá que entrei na água e descobri a leveza do meu corpo. Foi lá que virei criança. Foi lá.

Rio, mês 01, ano 2007.

3 comentários:

Isaac Frederico disse...

opa re !

esse é mais enigmático. onomatopéico. quase místico. contemplativo, também.
uma literatura de limite. e o estilo inconfundível, re, inconfundível...

william galdino disse...

Enigmático como disse o Isaac,as onomatopéias e as repetições casam-se com o giro do girassol e os dedos em espiral .O texto flui como uma ciranda.

Rogério Tomaz Jr. disse...

lindo, leve e doce! :)
bjo,
Rogério