12.3.07

Apolíneo sob as rodas


No acerto final,

O significado nas terríveis sentenças,

A ferrugem nos membros,

O vazio no arbítrio,

Precisarão de fibras impossíveis.


O absurdo em cada escolha.

Breve e irreversível

Vão, mas indizível...


Nada nos manuais

Nem uma única forma segura de agir.

Sete imprevistos e um plano.

Três palpites antes da queda.


E mais dez anos passaram;

Fobias curadas,

Fantasias no sótão,

Espaços em branco.


Árdua tarefa; reunir peças,

Concatenar vexames pretéritos

Com orgulhos vazios.

Desenterrar verdades esquecidas

(o potencial do esquecimento...),

Traições não reveladas

E medo.


Medo de olhar e encontrar a chave

Do fundo do poço que abriga

As lâminas

E mantém sob controle o dark side.


Ferramentas de cólera,

Tempos de guerra.


Breves tempestades que arrancam

Raízes

Desnecessárias

E atrelam à mecânica do olhar

Visões oriundas da finitude.


Nalgum obscuro canto

A lógica do sentido

Zela pelas sentenças do porvir.

3 comentários:

clara disse...

Nossa, fazia tempo, a fã estava inquieta! Um grande abraço e beijo.

isaac disse...

bem-vindo de volta, samana.
e uma volta pródiga com essa verdadeira bomba, um dos melhores dos últimos anos, creio - "melhores" pra quem está equilibrado, porque um estomago mais fraco implode diante da pressao de tantas verdades.
o que sao estes versos que nao verdades para a maioria de nós?

william disse...

Apolo e Dionísio se abraçam," nada nos manuais''... e as inumeras possibilidades do porvir, vossa senhoria o poeta -filósofo-sábio-guru-eremita nos brinda com mais um poema certeiro e de intensa musicalidade, a pena continua afiada e afinada.