17.11.07

Elementar

Caríssimos amigos e frequentadores das paragens do Presença, de volta ao blog depois de alguns meses fora do ar, anuncio com grande prazer um novo lançamento do coletivo, o livreto de poesias Elementar, com poesias minhas, de William Galdino e Isaac Frededrico.

A confraternização acontecerá no Arco-Íris da Lapa, a partir das 19h, na quarta (21/07) e todos estão convidados a comparecer e garantir seu exemplar, que tem tiragem limitada e custa o preço de uma gentileza - cerveja, é óbvio.

Reproduzo aqui o prefácio de Renata Dantas:

Este livro versa quatro elementos. Aqueles considerados desde a ciência antiga os componentes do universo físico. Água, fogo, terra, ar. Cada poeta – Vinícius, Isaac e William – nos apresenta sua versão sobre eles. De quebra, a introdução de André Gide, com um trecho de seu "Os novos frutos".

Dos quatro elementos, qual o mais essencial? A Terra, que dá chão, frutos, segurança? Destino final de toda raça humana. Terra que pode ser derrota, mas também bênção, como lembra Isaac. Terra que nos dá espaço para percorrer, mas nos mantém presos a esse solo. Pés fincados por "sapatos muito bem amarrados", diz William. Impedidos de alçar vôo (sonhar alto?), Vinícius lembra que "somos nada diante da firmeza de propósito do chão". O chão da Terra que bebe o ar.

Ar que relativiza. A pulverização. Fragmentação. Ou, segundo Vinícius, "a promessa do infinito". E, ao mesmo tempo, a frustração. O símbolo da incapacidade humana de levitar, de se ver "atravessado de ar", como sonha Isaac. O mesmo ar que nos ergue suspensos no espaço, faz a bailarina de William despencar no chão como pedra. Ar que alimenta o fogo.

"Utopista, o fogo é alma, só alma", esbraveja Isaac. Sem amarras, sem limites, sem controle. "Hipnose, ira, magia". Energia vital, força propulsora, motor que impulsiona o homem a se manter em constante movimento – eterno queimar dos pés, mesmo quando um outro recomeço parece impossível, enfatiza Vinícius. E chama que queima os pés, também faz arder a pele dos embriagados de paixão, como escolhe William. Chama de fogo que esfumaça a água.

Água que, como elemento químico descrito por Isaac, sacia a sede e dá vida aos oceanos. A mesma água que desmancha castelos humanos feitos de areia e afoga. A profundidade turva que atrai pelo mistério do desconhecido e assusta pela tentativa irresistível de sedução – o canto da sereia, remete William. Água que dá vida à Terra.

Dos quatro, qual o mais primitivo? Nenhum. São interdependentes. Estimulam um ao outro. Se retroalimentam.

Ar, terra, água, fogo. Oposição. Equilíbrio. Contradição. Harmonia. Primitivo. Complexo. Seria o homem a união desses elementos? Talvez nem todos carreguem em si essa elaborada quádrupla mistura. Mas nossos poetas sim. São elementares – não elementais. Como cada poema dessa pequena obra.

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