15.4.08

Aos olhos verdes


Quisera eu há tempos

Ter aquilo que agora tenho

E um tanto acanhado de tanto contento

Ao incompreensível agora ascendo

Qual mal assola o fanfarrão?

Qual suposta força eu tinha até então?

Ao supreender-me a cada lance que te vejo

Furto-te minhas vistas por receio

De tão bela imagem que recebo

Venha a ser tudo aquilo quanto almejo

Sou então um barco - um bocado torto

Que da tempestade chega ao calmo porto

Desorientado e pouco descontraído

Acanhado como hóspede - com o ego reprimido

Não tenho medo de falar-te

Do quanto estou contido

Quero-te tanto!

Desejo-te!

Então, por fim - que tudo tenha

Qual não é o verniz que se acabe e mostre a vil madeira?

Da qual sou feito e não se empena

Quando exposta calma ao seu sereno

CONFESSO-TE

SINCERO-TE"

4 comentários:

william disse...

Rendo homenagens aos olhos verdes, que trouxeram o Fábio de volta depois de longas datas pelos mares, um par de olhos pra aportar o poeta na calmaria depois da tempestade.

isaac disse...

voltou oportunamente, no que as próprias páginas recentes deste presença identificam como os ares românticos predominantes, marcadamente primaveris.
o panegírico à fantasia febril, que vivemos em maior ou menor escala - mas que é oriunda de uma experiência comum a todos - é um campo imenso, que enriquece o presença.

isaac disse...

voltou oportunamente, no que as próprias páginas recentes deste presença identificam como os ares românticos predominantes, marcadamente primaveris.
o panegírico à fantasia febril, que vivemos em maior ou menor escala - mas que é oriunda de uma experiência comum a todos - é um campo imenso, que enriquece o presença.

FlaM disse...

Estou tentando sair desse blog que conheci hoje, mas não paro de me encantar a cada post com aquilo que é das coisas que mais gosto: poesia. Esta é linda!
Abç, Flávia