23.11.06

Guto Leite II

O maior arranjo do mundo

Quando não tinha mais nada o que fazer, tomou todas as flores do mundo
e deu a ela. Certo que não lhe cabiam nos abraços cada begônia, lys,
bromélia, rosa, todas as outras vis. Ela soube ganhar o presente.
Retribuiu com beijo breve de mil gametas, fecundado, leve.
Este floresceu no peito infértil do jovem a tarde inteira
e só a noite pôde acalmar o unímpeto da semente.
No dia seguinte, logo de manhã, foi somente
esperando marcar a data que entrariam
no primeiro concurso. Só ela tinha
flores, afinal. Mas encontrou,
no mesmo arranjo: beijo,
outro homem, ela; e
desfez-se baixo,
muito baixo
como a
péta-
la.

5 comentários:

renata disse...

Gente,
Tive que diminuir o tamanho original da fonte para poder manter o formato buquê do poema, o maior buquê do mundo!
Guto, pra ti, só flores!
Besos.

isaac disse...

broder,
f-o-d-a, este poema. na mesma estrutura a beleza estratosférica de um "beijo fecundado" e o drama colossal do fim. a imagem da pétala fica viva...

isaac disse...

samana,
ia esquecendo de apresentar; o guto é um poeta amigo da renata, se conheceram na unicamp (?).

amigos presentes,
o blog vem sendo divulgado na estrada, com alguns livretos. a beleza destas poesias tem sido um perfume...

vinicius disse...

Caros,

creio que o poema não será nunca definitivo, mas neste caso, tocou - de leve - o universal.

"Mas encontrou, no mesmo arranjo: beijo, outro homem, ela..."

a imagem chega a latejar.


Muito prazer, Guto.

Guto Leite disse...

Caríssimos,
muito obrigado pelos comentários. Estou sentindo aquela grata sensação de ter reverberado. Sei que entendem do que falo e o tamanho do meu agradecimento. Continuamos Sisifos. Grande abraço!