27.11.06

Nuvens

“1.1 O mundo é a totalidade dos fatos, não das coisas.”

(L. Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus)


Distraído

Sob o peso do firmamento,

Vi um raio solar iluminar meus olhos.

A perspectiva, em miríades de imagens,

Abandonou a lógica.


Absorto,

Em tal névoa acolhido,

Procurei nas nuvens por algo palpável;

Mas eram somente nuvens.

Abandonei, então, a sintaxe.


A realidade semântica do possível

Resguarda meu mundo da loucura.


(Vinicius Perenha, 24 de novembro, 2006)

4 comentários:

isaac disse...

o poema é intrigante pela temática e por construções como "VI (friso meu)um raio solar iluminar meus olhos".

a gramática restringe o campo de relações possíveis das coisas, como já havia sugerido wittgenstein.

seria essa a âncora que impede o poeta de derivar nos mares da loucura, como sugere o último verso?

vinicius disse...

Acredito que cada coisa isolada - cada palavra, no caso da poesia - encerra sua gama própria de possibilidades de conexão com outros objetos-vocábulos.
A liberdade de formar composições semânticas abstraindo e, por vezes, mesmo ignorando, a sintaxe gramatical é uma particularidade praticamente exclusiva da poesia, da qual particularmente gosto bastante.

renata disse...

A sintaxe que me perdoe, mas a loucura é fundamental.
Beijos da terra de Quintana.

renata disse...

Ah, é bom Mola pra vcs, nesta quinta no Circo.