8.11.06

O Bocejo do Amor

Difícil conseguir abarcar toda a magnitude da obra do Abdul nos posts esporádicos deste blog.
A despeito de o Abdul não ter lançado um livreto "oficial", tenho muitas de suas poesias, algumas das quais tentei musicar, outras que simplesmente pedi pra guardar.
É sem dúvida um dos meus nomes prediletos da "poesia independente", como já pude expressar aqui antes, e fica claro o por quê, mediante o contato com a clareza e intensidade de suas poesias, como expresso em "O Bocejo do Amor".
Presença!

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O Bocejo do Amor

Quando de repente um bocejo revela
a preocupação com a vida,
Indisposta sua alma reflete amarguras do amor.
É triste perder quem se ama,
muito mais perder o amor em si,
e perceber que após tantos meses o passado consumiu os dias
lentamente. Depositando na memória os dias felizes
que hoje nos machucam, e menos as tristezas
que nos tornaram solitários.
Não importa os amigos, a família ou o trabalho,
a solidão sobressalta em nossos sentimentos como um bocejo
que simplesmente nos sai pela boca.
Boca esta que não toca mais os lábios tanto desejados,
não beija mais o corpo um dia desvelado, e tenta agora
na nudez da esperança aquecer novamente o espírito cansado.
O ego que se refaz no futuro,
na força da imaginação esquece os bocejos e desperta os olhos
para um destino grandioso. Longe não do amor;
mas do desejo ingrato que nos faz assim tão distantes dos
primeiros dias da paixão.


(Felipe "Abdul" Sandin, em 14 de outubro de 2005)

2 comentários:

vinicius disse...

o Abdul, quem diria, pega também um tanto pesado.

É inevitável camarada, o partir, tanto quanto a dor de.

isaac disse...

esse poema é esculacho. ele retrata um mmomento crucial de qualquer relação, e o faz com sensibilidade majestosa.