10.11.06

Terra

Terra

A terra é a mais formosa das mulheres
Que devém
Que acontece
Sem vírgulas
Impontual em seu chamado
Porque a ela vamos todos

Tão quente quanto fria
Onilingüe
Crepuscular e auroreal
Tudo ao mesmo tempo
Inexorável em seu chamado
Sobre ela vamos todos

A terra munge seus filhos
Nós mungimos ela
Navalhamos-na
Recebemos a benção do sólido
Do chão
Que mesmo o chão é bênção
Só aos tolos o chão é derrota

A terra permite
Mas quando exige
Quererá teus átomos
Teus ossículos
Partidos ou não

A terra é gestação
Com teus ossículos
Digeridos se renova
E sabemos bem o que é
A renovação

Fovente
Graciosa
Mãe
A mãe raiz
A grande raiz em comum
A grande raiz.

A terra –
O eterno
Regressar.

(Isaac Frederico, em 14 de setembro de 2006)

Um comentário:

vinicius disse...

já chegamos aqui no lucro.
aquilo que temos desde o início - nosso corpo -, no
fim das contas é tudo o que podemos dar em troca;
pra alimentar alguma coisa, virar ponto de costura
ou coisa do tipo. hehe.

um poema pra agradecer o presente.

muito bom!